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	<title>Curso Gratuito de Português &#187; Literatura</title>
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	<description>Descobrindo o prazer de aprender</description>
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		<title>Anáfora, assonância e aliteração</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 21:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Figuras de linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Versificação]]></category>

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		<description><![CDATA[Temos aqui mais três figuras de sintaxe, largamente utilizadas na poesia e na retórica. Vejamos cada uma delas: a) anáfora: é o uso repetido de palavras ou expressões no início de versos ou de frases de maneira consecutiva; por exemplo, a primeira estrofe deste poema de Walt Whitman, no qual a expressão &#8220;Vinte e oito&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Temos aqui mais <strong>três figuras de sintaxe</strong>, largamente utilizadas na <a href="http://poesia.mrkind.pro.br/" target='_blank'>poesia</a> e na retórica. Vejamos cada uma delas:</p>
<p><span id="more-751"></span></p>
<p>a) <strong>anáfora</strong>: é o uso repetido de palavras ou expressões no início de versos ou de frases de maneira consecutiva; por exemplo, a primeira estrofe deste <a title="ver o poema" href="http://poesiadewhitman.com/cancao-de-mim-mesmo-parte-11.html" target="_blank">poema de Walt Whitman</a>, no qual a expressão &#8220;Vinte e oito&#8221; aparece em todos os versos:</p>
<p>&#8220;Vinte e oito rapazes se banham perto da praia,<br />
Vinte e oito rapazes e todos tão simpáticos;<br />
Vinte e oito anos de vida feminil e todos tão solitários.&#8221;</p>
<p>b) <strong>assonância</strong>: é a repetição de sons vocálicos idênticos ou semelhantes em verso ou discurso retórico, mas principalmente em <a href="http://poesia.mrkind.pro.br/" target='_blank'>poesia</a>:</p>
<p>c)<strong> aliteração</strong>: repetição de sons, especialmente sons consonantais;</p>
<p>vejam, nos versos de <strong>Antífona</strong>, de <strong>Cruz e Souza</strong>, como essas duas figuras são entrelaçadas, para dar a sensação de rodopio no poema e o sibilante S soprando em tudo:</p>
<p>Ó Formas alvas, brancas, Formas claras<br />
De luares, de neves, de neblinas!&#8230;<br />
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas&#8230;<br />
Incensos dos turíbulos das aras&#8230;</p>
<p>Formas do Amor, constelarmente puras,<br />
De Virgens e de Santas vaporosas&#8230;<br />
Brilhos errantes, mádidas frescuras<br />
E dolências de lírios e de rosas&#8230;</p>
<p>Indefiníveis músicas supremas,<br />
Harmonias da Cor e do Perfume&#8230;<br />
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,<br />
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume&#8230;</p>
<p>Visões, salmos e cânticos serenos,<br />
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes&#8230;<br />
Dormências de volúpicos venenos<br />
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes&#8230;</p>
<p>Infinitos espíritos dispersos,<br />
Inefáveis, edênicos, aéreos,<br />
Fecundai o Mistério destes versos<br />
Com a chama ideal de todos os mistérios.</p>
<p>Do Sonho as mais azuis diafaneidades<br />
Que fuljam, que na Estrofe se levantem<br />
E as emoções, todas as castidades<br />
Da alma do Verso, pelos versos cantem.</p>
<p>Que o pólen de ouro dos mais finos astros<br />
Fecunde e inflame a rima clara e ardente&#8230;<br />
Que brilhe a correção dos alabastros<br />
Sonoramente, luminosamente.</p>
<p>Forças originais, essência, graça<br />
De carnes de mulher, delicadezas&#8230;<br />
Todo esse eflúvio que por ondas passa<br />
Do Éter nas róseas e áureas correntezas&#8230;</p>
<p>Cristais diluídos de clarões alacres,<br />
Desejos, vibrações, ânsias, alentos,<br />
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,<br />
Os mais estranhos estremecimentos&#8230;</p>
<p>Flores negras do tédio e flores vagas<br />
De amores vãos, tantálicos, doentios&#8230;<br />
Fundas vermelhidões de velhas chagas<br />
Em sangue, abertas, escorrendo em rios&#8230;..</p>
<p>Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,<br />
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,<br />
Passe, cantando, ante o perfil medonho<br />
E o tropel cabalístico da Morte&#8230;</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>O que é metalinguagem?</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/o-que-e-metalinguagem/</link>
		<comments>http://cursodeportugues.blogarium.net/o-que-e-metalinguagem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 19:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Metalinguagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo a definição do dicionário Aurélio, metalinguagem é a “linguagem utilizada para descrever outra linguagem ou qualquer sistema de significação: todo discurso acerca de uma língua, como as definições dos dicionários, as regras gramaticais, etc.” Por exemplo, a chamada NGB, ou Nomenclatura Gramatical Brasileira, faz exatamente esse trabalho metalingüístico de nomeação e descrição da nossa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo a definição do dicionário Aurélio, <strong>metalinguagem</strong> é a “linguagem utilizada para descrever outra linguagem ou qualquer sistema de significação: todo discurso acerca de uma língua, como as definições dos dicionários, as regras gramaticais, etc.”</p>
<p><span id="more-719"></span></p>
<p>Por exemplo, a chamada NGB, ou Nomenclatura Gramatical Brasileira, faz exatamente esse trabalho metalingüístico de nomeação e descrição da nossa língua com relação à fonética, morfologia e sintaxe.</p>
<p>Hoje em dia o significado de metalinguagem está ainda mais expandido; uma metalinguagem pode ser usada para descrever qualquer outra linguagem, como por exemplo as linguagens no campo da informática.</p>
<p>Mais exemplos: o verbo <strong>correr </strong>significa apressar-se, mover-se com rapidez; <strong>corro </strong>é a primeira pessoa do singular do presente do indicativo deste verbo (análise morfológica dessa forma verbal).<strong> </strong></p>
<p><strong>Substantivo</strong> é uma palavra ou nome que denomina um ser, um objeto, uma qualidade, ou estado de alguma coisa.</p>
<p>E assim por diante. Basta abrir uma gramática e estudar qualquer parte dela para ver que as descrições são a metalinguagem na prática.</p>
<p>Quando tratamos de obras literárias, também usamos termos para analisá-las e descrevê-las, como romance, novela, conto, estórias, epopéias, e vários outros tipos de poemas:  odes, elegias, baladas, rondós, etc, como podemos ver em nossa série sobre <strong><a title="ir para versificação" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-portuguesa-brasileira/" target="_blank">versificação em língua portuguesa</a></strong>.</p>
<p>Há uso de metalinguagem inclusive quando um poeta escreve um poema para falar de como se faz um poema. Como é o caso de <strong>João Cabral de Melo Neto</strong> em seu poema <strong>Catar Feijão</strong>, do livro <em>A Educação Pela Pedra</em>, de 1965:</p>
<p>1.</p>
<p>Catar feijão se limita com escrever:<br />
joga-se os grãos na água do alguidar<br />
e as palavras na folha de papel;<br />
e depois, joga-se fora o que boiar.<br />
Certo, toda palavra boiará no papel,<br />
água congelada, por chumbo seu verbo:<br />
pois para catar esse feijão, soprar nele,<br />
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.</p>
<p>2.</p>
<p>Ora, nesse catar feijão entra um risco:<br />
o de que entre os grãos pesados entre<br />
um grão qualquer, pedra ou indigesto,<br />
um grão imastigável, de quebrar dente.<br />
Certo não, quando ao catar palavras:<br />
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:<br />
obstrui a leitura fluviante, flutual,<br />
açula a atenção, isca-a como o risco.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Lançado o site Poesia de Whitman</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/lancado-o-site-poesia-de-whitman/</link>
		<comments>http://cursodeportugues.blogarium.net/lancado-o-site-poesia-de-whitman/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 18:11:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros leitores, recém lancei o site Poesia de Whitman, onde estou publicando a obra poética do poeta norte-americano Walt Whitman: Folhas de Relva, traduzida por mim. Boa leitura, Gentil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros leitores,</p>
<p>recém lancei o site <a title="folhas de relva" href="http://poesiadewhitman.com/" target="_blank">Poesia de Whitman</a>, onde estou publicando a obra poética do poeta norte-americano <strong>Walt Whitman: <em>Folhas de Relva</em></strong>, traduzida por mim.</p>
<p><span id="more-568"></span></p>
<p>Boa leitura,</p>
<p>Gentil</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sobre versificação em língua portuguesa (12)</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-12/</link>
		<comments>http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-12/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 23:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Versificação]]></category>

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		<description><![CDATA[Há em nossa língua formas tradicionais de composição poética. Vamos nomear e exemplificar cada uma delas. As mais famosas são o soneto, a canção e a balada. Estas duas últimas vivem hoje principalmente através dos letristas e compositores da música popular. E o soneto, mesmo sendo uma forma ultrapassada, como diriam os modernistas, sempre encontrará [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há em nossa língua formas tradicionais de composição poética. Vamos nomear e exemplificar cada uma delas. As mais famosas são o <strong>soneto, a canção e a balada</strong>. Estas duas últimas vivem hoje principalmente através dos letristas e compositores da música popular.</p>
<p><span id="more-557"></span></p>
<p>E o soneto, mesmo sendo uma forma ultrapassada, como diriam os modernistas, sempre encontrará algum poeta romântico que vai querer expressar seus sentimentos através dele. Mas há outros tipos de composição poética, menos conhecidos, como <strong>o madrigal, a elegia, a égloga, o rondó, a ode e o epigrama.</strong></p>
<p>Começamos então por uma brevíssima alusão histórica ao soneto. Especialistas garantem que Giacomo Lentini, que viveu e escreveu na segunda metade do século XIII, é o verdadeiro criador do soneto, embora outros afirmem que tenha sido inventado por Girard de Borneuil, um trovador francês de Limoges, para só daí essa forma poética ser transportada à Itália.</p>
<p>Lendas ou histórias à parte, é de conhecimento comum que o mais antigo e famoso sonetista foi Francesco Petrarca, que escreveu 317 sonetos (TREVISAN, 2001).</p>
<p>Muitos grandes poetas de muitas nacionalidades escreveram sonetos, como por exemplo, <strong>Dante, Shakespeare, Mallarmé, Quevedo, Cervantes, Camões, Sá de Miranda, Gregório de Matos, Cláudio Manoel da Costa, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Mário Quintana, Vinícius de Moraes</strong> e muitos outros.</p>
<p>O soneto é composto de 14 versos, distribuídos em duas quadras, ou quartetos, e dois tercetos, rimados ou não. Há muitos sonetos famosos em nossa língua, como o <strong>Soneto da Fidelidade, </strong>de<strong> Vinícius de Moraes</strong>, ou o <strong>Amor é Fogo que Arde Sem se Ver</strong>, de <strong>Luís de Camões</strong>.</p>
<p>***<br />
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***</p>
<p>De tudo, ao meu amor serei atento<br />
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto<br />
Que mesmo em face do maior encanto<br />
Dele se encante mais meu pensamento.</p>
<p>Quero vivê-lo em cada vão momento<br />
E em louvor hei de espalhar meu canto<br />
E rir meu riso e derramar meu pranto<br />
Ao seu pesar ou seu contentamento.</p>
<p>E assim, quando mais tarde me procure<br />
Quem sabe a morte, angústia de quem vive<br />
Quem sabe a solidão, fim de quem ama</p>
<p>Eu possa me dizer do amor (que tive):<br />
Que não seja imortal, posto que é chama<br />
Mas que seja infinito enquanto dure.</p>
<p>***<br />
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***<br />
<strong>Amor é fogo que arde sem se ver</strong></p>
<p>Amor é fogo que arde sem se ver;<br />
É ferida que dói e não se sente;<br />
É um contentamento descontente;<br />
É dor que desatina sem doer;</p>
<p>É um não querer mais que bem querer;<br />
É solitário andar por entre a gente;<br />
É nunca contentar-se de contente;<br />
É cuidar que se ganha em se perder;</p>
<p>É querer estar preso por vontade;<br />
É servir a quem vence, o vencedor;<br />
É ter com quem nos mata lealdade.</p>
<p>Mas como causar pode seu favor<br />
Nos corações humanos amizade,<br />
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Maria Bethânia cantando Castro Alves e Caetano Veloso</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/maria-bethania-cantando-castro-alves-e-caetano-veloso/</link>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 16:03:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Conforme dissemos em nosso artigo décimo sobre versificação em língua portuguesa, Castro Alves foi chamado de “Poeta dos Escravos”, pela defesa que fez da Raça Negra no Brasil, mostrando a vergonha de manter um povo escravo nestas terras. Neste áudio que incluímos abaixo, Maria Bethânia canta um conjunto de versos do poema Navio Negreiro de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conforme dissemos em nosso<a title="artigo décimo" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-10/" target="_blank"> artigo décimo</a> sobre versificação em língua portuguesa, <strong>Castro Alves</strong> foi chamado de “Poeta dos Escravos”, pela defesa que fez da Raça Negra no Brasil, mostrando a vergonha de manter um povo escravo nestas terras. Neste áudio que incluímos abaixo, <strong>Maria Bethânia</strong> canta um conjunto de versos do poema <strong>Navio Negreiro</strong> de Castro Alves, homenageando a Raça Negra e a música <strong>Um índio</strong>, de <a title="site oficial de Caetano Veloso" href="http://www.caetanoveloso.com.br/" target="_blank"><strong>Caetano Veloso</strong></a>, em homenagem à Raça Índia, que não aceitou a escravidão, preferindo morrer a se tornar escrava. Que a Raça Índia e Zumbi dos Palmares nos sirvam de exemplos na busca da liberdade.</p>
<p><span id="more-550"></span></p>
<p>Incluí abaixo o poema <strong>Navio Negreiro</strong>, de Castro Alves e a letra da música <strong>Um índio</strong>, de Caetano Veloso.</p>
<p>***<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="262" height="258" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DuP8jft4K3g&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="262" height="258" src="http://www.youtube.com/v/DuP8jft4K3g&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
***</p>
<p><strong>Navio Negreiro</strong></p>
<p>I</p>
<p>&#8216;Stamos em pleno mar. Doudo no espaço<br />
Brinca o luar &#8211; dourada borboleta;<br />
E as vagas após ele correm&#8230; cansam<br />
Como turba de infantes inquieta.</p>
<p>&#8216;Stamos em pleno mar. Do firmamento<br />
Os astros saltam como espumas de ouro&#8230;<br />
O mar em troca acende as ardentias,<br />
- Constelações do líquido tesouro&#8230;</p>
<p>&#8216;Stamos em pleno mar. Dois infinitos<br />
Ali se estreitam num abraço insano,<br />
Azuis, dourados, plácidos, sublimes&#8230;<br />
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?&#8230;</p>
<p>&#8216;Stamos em pleno mar. Abrindo as velas<br />
Ao quente arfar das virações marinhas,<br />
Veleiro brigue corre à flor dos mares,<br />
Como roçam na vaga as andorinhas&#8230;</p>
<p>Donde vem? onde vai? Das naus errantes<br />
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?<br />
Neste saara os corcéis o pó levantam,<br />
Galopam, voam, mas não deixam traço.</p>
<p>Bem feliz quem ali pode nest&#8217;hora<br />
Sentir deste painel a majestade!<br />
Embaixo &#8211; o mar em cima &#8211; o firmamento.<br />
E no mar e no céu &#8211; a imensidade!</p>
<p>Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!<br />
Que música suave ao longe soa!<br />
Meu Deus! como é sublime um canto ardente<br />
Pelas vagas sem fim boiando à toa!</p>
<p>Homens do mar! ó rudes marinheiros,<br />
Tostados pelo sol dos quatro mundos!<br />
Crianças que a procela acalentara<br />
No berço destes pélagos profundos!</p>
<p>Esperai! esperai! deixai que eu beba<br />
Esta selvagem, livre <a href="http://poesia.mrkind.pro.br/" target='_blank'>poesia</a><br />
Orquestra &#8211; é o mar, que ruge pela proa,<br />
E o vento, que nas cordas assobia&#8230;</p>
<p>Por que foges assim, barco ligeiro?<br />
Por que foges do pávido poeta?<br />
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira<br />
Que semelha no mar &#8211; doudo cometa!</p>
<p>Albatroz! Albatroz! águia do oceano,<br />
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,<br />
Sacode as penas, Leviathan do espaço,<br />
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.</p>
<p>II</p>
<p>Que importa do nauta o berço,<br />
Donde é filho, qual seu lar?<br />
Ama a cadência do verso<br />
Que lhe ensina o velho mar!<br />
Cantai! que a morte é divina!<br />
Resvala o brigue à bolina<br />
Como golfinho veloz.<br />
Presa ao mastro da mezena<br />
Saudosa bandeira acena<br />
As vagas que deixa após.</p>
<p>Do Espanhol as cantilenas<br />
Requebradas de langor,<br />
Lembram as moças morenas,<br />
As andaluzas em flor!<br />
Da Itália o filho indolente<br />
Canta Veneza dormente,<br />
- Terra de amor e traição,<br />
Ou do golfo no regaço<br />
Relembra os versos de Tasso,<br />
Junto às lavas do vulcão!</p>
<p>O <a href="http://mrkind.pro.br/blog/gebli-curso-de-ingles-gratis/" target='_blank'>Inglês</a> &#8211; marinheiro frio,<br />
Que ao nascer no mar se achou,<br />
(Porque a Inglaterra é um navio,<br />
Que Deus na Mancha ancorou),<br />
Rijo entoa pátrias glórias,<br />
Lembrando, orgulhoso, histórias<br />
De Nelson e de Aboukir.. .<br />
O Francês &#8211; predestinado -<br />
Canta os louros do passado<br />
E os loureiros do porvir!</p>
<p>Os marinheiros Helenos,<br />
Que a vaga jônia criou,<br />
Belos piratas morenos<br />
Do mar que Ulisses cortou,<br />
Homens que Fídias talhara,<br />
Vão cantando em noite clara<br />
Versos que Homero gemeu &#8230;<br />
Nautas de todas as plagas,<br />
Vós sabeis achar nas vagas<br />
As melodias do céu!</p>
<p>III</p>
<p>Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!<br />
Desce mais, inda mais&#8230; não pode olhar humano<br />
Como o teu mergulhar no brigue voador!<br />
Mas que vejo eu aí. Que quadro d&#8217;amarguras!<br />
É canto funeral!  Que tétricas figuras! &#8230;<br />
Que cena infame e vil&#8230; Meu Deus! Meu Deus! Que horror!</p>
<p>IV</p>
<p>Era um sonho dantesco&#8230; o tombadilho<br />
Que das luzernas avermelha o brilho.<br />
Em sangue a se banhar.<br />
Tinir de ferros&#8230; estalar de açoite&#8230;<br />
Legiões de homens negros como a noite,<br />
Horrendos a dançar&#8230;</p>
<p>Negras mulheres, suspendendo às tetas<br />
Magras crianças, cujas bocas pretas<br />
Rega o sangue das mães:<br />
Outras moças, mas nuas e espantadas,<br />
No turbilhão de espectros arrastadas,<br />
Em ânsia e mágoa vãs!</p>
<p>E ri-se a orquestra irônica, estridente&#8230;<br />
E da ronda fantástica a serpente<br />
Faz doudas espirais &#8230;<br />
Se o velho arqueja, se no chão resvala,<br />
Ouvem-se gritos&#8230; o chicote estala.<br />
E voam mais e mais&#8230;</p>
<p>Presa nos elos de uma só cadeia,<br />
A multidão faminta cambaleia,<br />
E chora e dança ali!<br />
Um de raiva delira, outro enlouquece,<br />
Outro, que martírios embrutece,<br />
Cantando, geme e ri!</p>
<p>No entanto o capitão manda a manobra,<br />
E após fitando o céu que se desdobra,<br />
Tão puro sobre o mar,<br />
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:<br />
&#8220;Vibrai rijo o chicote, marinheiros!<br />
Fazei-os mais dançar!&#8230;&#8221;</p>
<p>E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .<br />
E da ronda fantástica a serpente<br />
Faz doudas espirais&#8230;<br />
Qual um sonho dantesco as sombras voam!&#8230;<br />
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!<br />
E ri-se Satanás!&#8230;</p>
<p>V</p>
<p>Senhor Deus dos desgraçados!<br />
Dizei-me vós, Senhor Deus!<br />
Se é loucura&#8230; se é verdade<br />
Tanto horror perante os céus?!<br />
Ó mar, por que não apagas<br />
Co&#8217;a esponja de tuas vagas<br />
De teu manto este borrão?&#8230;<br />
Astros! noites! tempestades!<br />
Rolai das imensidades!<br />
Varrei os mares, tufão!</p>
<p>Quem são estes desgraçados<br />
Que não encontram em vós<br />
Mais que o rir calmo da turba<br />
Que excita a fúria do algoz?<br />
Quem são? Se a estrela se cala,<br />
Se a vaga à pressa resvala<br />
Como um cúmplice fugaz,<br />
Perante a noite confusa&#8230;<br />
Dize-o tu, severa Musa,<br />
Musa libérrima, audaz!&#8230;</p>
<p>São os filhos do deserto,<br />
Onde a terra esposa a luz.<br />
Onde vive em campo aberto<br />
A tribo dos homens nus&#8230;<br />
São os guerreiros ousados<br />
Que com os tigres mosqueados<br />
Combatem na solidão.<br />
Ontem simples, fortes, bravos.<br />
Hoje míseros escravos,<br />
Sem luz, sem ar, sem razão. . .</p>
<p>São mulheres desgraçadas,<br />
Como Agar o foi também.<br />
Que sedentas, alquebradas,<br />
De longe&#8230; bem longe vêm&#8230;<br />
Trazendo com tíbios passos,<br />
Filhos e algemas nos braços,<br />
N&#8217;alma &#8211; lágrimas e fel&#8230;<br />
Como Agar sofrendo tanto,<br />
Que nem o leite de pranto<br />
Têm que dar para Ismael.</p>
<p>Lá nas areias infindas,<br />
Das palmeiras no país,<br />
Nasceram crianças lindas,<br />
Viveram moças gentis&#8230;<br />
Passa um dia a caravana,<br />
Quando a virgem na cabana<br />
Cisma da noite nos véus &#8230;<br />
Adeus, ó choça do monte,<br />
Adeus, palmeiras da fonte!&#8230;<br />
Adeus, amores&#8230; adeus!&#8230;</p>
<p>Depois, o areal extenso&#8230;<br />
Depois, o oceano de pó.<br />
Depois no horizonte imenso<br />
Desertos&#8230; desertos só&#8230;<br />
E a fome, o cansaço, a sede&#8230;<br />
Ai! quanto infeliz que cede,<br />
E cai p&#8217;ra não mais s&#8217;erguer!&#8230;<br />
Vaga um lugar na cadeia,<br />
Mas o chacal sobre a areia<br />
Acha um corpo que roer.</p>
<p>Ontem a Serra Leoa,<br />
A guerra, a caça ao leão,<br />
O sono dormido à toa<br />
Sob as tendas d&#8217;amplidão!<br />
Hoje&#8230; o porão negro, fundo,<br />
Infecto, apertado, imundo,<br />
Tendo a peste por jaguar&#8230;<br />
E o sono sempre cortado<br />
Pelo arranco de um finado,<br />
E o baque de um corpo ao mar&#8230;</p>
<p>Ontem plena liberdade,<br />
A vontade por poder&#8230;<br />
Hoje&#8230; cúm&#8217;lo de maldade,<br />
Nem são livres p&#8217;ra morrer. .<br />
Prende-os a mesma corrente<br />
— Férrea, lúgubre serpente —<br />
Nas roscas da escravidão.<br />
E assim zombando da morte,<br />
Dança a lúgubre coorte<br />
Ao som do açoute&#8230; Irrisão!&#8230;</p>
<p>Senhor Deus dos desgraçados!<br />
Dizei-me vós, Senhor Deus,<br />
Se eu deliro&#8230; ou se é verdade<br />
Tanto horror perante os céus?!&#8230;<br />
Ó mar, por que não apagas<br />
Co&#8217;a esponja de tuas vagas<br />
Do teu manto este borrão?<br />
Astros! noites! tempestades!<br />
Rolai das imensidades!<br />
Varrei os mares, tufão! &#8230;</p>
<p>VI</p>
<p>Existe um povo que a bandeira empresta<br />
P&#8217;ra cobrir tanta infâmia e cobardia!&#8230;<br />
E deixa-a transformar-se nessa festa<br />
Em manto impuro de bacante fria!&#8230;<br />
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,<br />
Que impudente na gávea tripudia?<br />
Silêncio. Musa&#8230; chora, e chora tanto<br />
Que o pavilhão se lave no teu pranto! &#8230;</p>
<p>Auriverde pendão de minha terra,<br />
Que a brisa do Brasil beija e balança,<br />
Estandarte que a luz do sol encerra<br />
E as promessas divinas da esperança&#8230;<br />
Tu que, da liberdade após a guerra,<br />
Foste hasteado dos heróis na lança<br />
Antes te houvessem roto na batalha,<br />
Que servires a um povo de mortalha!&#8230;</p>
<p>Fatalidade atroz que a mente esmaga!<br />
Extingue nesta hora o brigue imundo<br />
O trilho que Colombo abriu nas vagas,<br />
Como um íris no pélago profundo!<br />
Mas é infâmia demais! &#8230; Da etérea plaga<br />
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!<br />
Andrada! arranca esse pendão dos ares!<br />
Colombo! fecha a porta dos teus mares!</p>
<p>***</p>
<p><strong>Um índio</strong><br />
Caetano Veloso</p>
<p>Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante<br />
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante<br />
E pousará no coração do hemisfério sul<br />
Na América, num claro instante<br />
Depois de exterminada a última nação indígena<br />
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida<br />
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias</p>
<p>Virá<br />
Impávido que nem Muhammad Ali<br />
Virá que eu vi<br />
Apaixonadamente como Peri<br />
Virá que eu vi<br />
Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee<br />
Virá que eu vi<br />
O axé do afoxé Filhos de Gandhi<br />
Virá</p>
<p>Um índio preservado em pleno corpo físico<br />
Em todo sólido, todo gás e todo líquido<br />
Em átomos, palavras, alma, cor<br />
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico<br />
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico<br />
Do objeto-sim resplandecente descerá o índio<br />
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará<br />
Não sei dizer assim de um modo explícito</p>
<p>Virá<br />
Impávido que nem Muhammad Ali<br />
Virá que eu vi<br />
Apaixonadamente como Peri<br />
Virá que eu vi<br />
Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee<br />
Virá que eu vi<br />
O axé do afoxé Filhos de Gandhi<br />
Virá</p>
<p>E aquilo que nesse momento se revelará aos povos<br />
Surpreenderá a todos não por ser exótico<br />
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto<br />
Quando terá sido o óbvio</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Sobre versificação em língua portuguesa (11)</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-11/</link>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 03:29:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Versificação]]></category>

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		<description><![CDATA[Como dissemos na introdução, depois dos hendecassílabos, temos os versos dodecassílabos, ou alexandrinos. Esses versos nasceram na França e são os mais populares nesse país. E foram naturalmente assimilados pelos poetas de língua portuguesa, por esses versos serem muito expressivos, principalmente em sonetos. Em geral, os dodecassílabos tem uma forma clássica e outra romântica. Na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como dissemos na introdução, depois dos hendecassílabos, temos os versos <strong>dodecassílabos</strong>, ou <strong>alexandrinos</strong>. Esses versos nasceram na França e são os mais populares nesse país. E foram naturalmente assimilados pelos poetas de língua portuguesa, por esses versos serem muito expressivos, principalmente em sonetos. Em geral, os dodecassílabos tem uma forma clássica e outra romântica. Na clássica, a acentuação forte recai na sexta (final do primeiro hemistíquio ou meio-verso) e décima segunda sílabas. Na forma romântica, há uma liberdade de combinações de acentuação, com variação inclusive na cesura central, ou pausa interna, que marca o final do primeiro hemistíquio (há quem diga que esse verso é uma combinação de dois versos de seis sílabas). É nesse verso que se dá mais comumente o chamado <strong>enjambement</strong>, ou cavalgamento, que significa que a unidade de sentido do verso não termina no final da linha, e ele precisa ser continuado na linha seguinte, embora ritmicamente ele termine na décima segunda sílaba. Desta medida em diante, ou seja, versos de treze sílabas ou mais não tem nome específico, e são considerados como combinações de versos menores.</p>
<p><span id="more-547"></span></p>
<p>Vamos mostrar alguns exemplos. O primeiro é a parte 1 de <strong>O Caçador de Esmeraldas</strong>, de <strong>Olavo Bilac</strong>, um dos grandes poetas parnasianos brasileiros, que citamos em nossa <a title="introdução" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-portuguesa-brasileira/" target="_blank">introdução</a>.</p>
<p>“Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada<br />
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,<br />
Bebera longamente as águas da estação,<br />
- Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata,<br />
À frente dos peões filhos da rude mata,<br />
Fernão Dias Pais Leme entrou pelo sertão.</p>
<p>Ah! quem te vira assim, no alvorecer da vida,<br />
Bruta Pátria, no berço, entre as selvas dormida,<br />
No virginal pudor das primitivas eras,<br />
Quando, aos beijos do sol, mal compreendendo o anseio<br />
Do mundo por nascer que trazias no seio,<br />
Reboavas ao tropel dos índios e das feras!</p>
<p>Já lá fora, da ourela azul das enseadas,<br />
Das angras verdes, onde as águas repousadas<br />
Vêm, borbulhando, à flor dos cachopos cantar;<br />
Das abras e da foz dos tumultuosos rios,<br />
Tomadas de pavor, dando contra os baixios,<br />
As pirogas dos teus fugiam pelo mar&#8230;</p>
<p>De longe, ao duro vento opondo as largas velas,<br />
Bailando ao furacão, vinham as caravelas,<br />
Entre os uivos do mar e o silêncio dos astros;<br />
E tu, do litoral, de rojo nas areias,<br />
Vias o Oceano arfar, vias as ondas cheias<br />
De uma palpitação de proas e de mastros.</p>
<p>Pelo deserto imenso e líquido, os penhascos<br />
Feriam-nas em vão, roíam-lhes os cascos&#8230;<br />
A quantas, quanta vez, rodando aos ventos maus,<br />
O primeiro pegão, como a baixéis, quebrava!<br />
E lá iam, no alvor da espumarada brava,<br />
Despojos da ambição, cadáveres de naus.</p>
<p>Outras vinham, na febre heróica da conquista!<br />
E quando, de entre os véus das neblinas, à vista<br />
Dos nautas fulgurava o teu verde sorriso,<br />
Os seus olhos, ó Pátria, enchiam-se de pranto:<br />
Era como se, erguendo a ponta do teu manto,<br />
Vissem, à beira d&#8217;água, abrir-se o Paraíso!</p>
<p>Mais numerosa, mais audaz, de dia em dia,<br />
Engrossava a invasão. Como a enchente bravia,<br />
Que sobre as terras, palmo a palmo, abre o lençol<br />
Da água devastadora, &#8211; os brancos avançavam:<br />
E os teus filhos de bronze ante eles recuavam,<br />
Como a sombra recua ante a invasão do sol.</p>
<p>Já nas faldas da serra apinhavam-se aldeias;<br />
Levantava-se a cruz sobre as alvas areias,<br />
Onde, ao brando mover dos leques das juçaras,<br />
Vivera e progredira a tua gente forte.<br />
Soprara a destruição, como um vento de morte,<br />
Desterrando os pajés, abatendo as caiçaras.</p>
<p>Mas além, por detrás das broncas serranias,<br />
Na cerrada região das florestas sombrias,<br />
Cujos troncos, rompendo as lianas e os cipós,<br />
Alastravam no céu léguas de rama escura;<br />
Nos matagais, em cuja horrível espessura<br />
Só corria a anta leve e uivava a onça feroz:</p>
<p>Além da áspera brenha, onde as tribos errantes<br />
À sombra maternal das árvores gigantes<br />
Acampavam; além das sossegadas águas<br />
Das lagoas, dormindo entre aningais floridos;<br />
Dos rios, acachoando em quedas e bramidos,<br />
Mordendo os alcantis, roncando pelas fráguas;</p>
<p>- Aí, não ia ecoar o estrupido da luta.<br />
E, no seio nutriz da natureza bruta,<br />
Resguardava o pudor teu verde coração!<br />
Ah! quem te vira assim, entre as selvas sonhando,<br />
Quando a bandeira entrou pelo teu seio, quando<br />
Fernão Dias Pais Leme invadiu o sertão!”</p>
<p>***</p>
<p>Outro exemplo vem da pena de <strong>Alberto de Oliveira </strong>(1857-1937), poeta parnasiano, que foi eleito em 1924 como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, ocupando assim o lugar que fora de Olavo Bilac. Por incrível que pareça, ele chegou a esse posto durante a fase áurea do modernismo. Mas ele nunca mudou seu estilo, permanecendo parnasiano por toda a vida, ou seja, sempre buscando a perfeição formal e métrica, de linguagem trabalhada. Suas obras, sempre poéticas, são <em>Canções Românticas, Sonetos e Poemas,</em> <em>Versos e Rimas </em>e <em>Poesias</em>. O poema que trazemos para mostrar sua arte em alexandrinos é <strong>Aspiração:</strong></p>
<p>“Ser palmeira! existir num píncaro azulado,<br />
Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando;<br />
Dar ao sopro do mar o seio perfumado,<br />
Ora os leques abrindo, ora os leques fechando;</p>
<p>Só de meu cimo, só de meu trono, os rumores<br />
Do dia ouvir, nascendo o primeiro arrebol,<br />
E no azul dialogar com o espírito das flores,<br />
Que invisível ascende e vai falar ao sol;</p>
<p>Sentir romper do vale e a meus pés, rumorosa,<br />
Dilatar-se a cantar a alma sonora e quente<br />
Das árvores, que em flor abre a manhã cheirosa,<br />
Dos rios, onde luz todo o esplendor do Oriente;</p>
<p>E juntando a essa voz o glorioso murmúrio<br />
De minha fronde e abrindo ao largo espaço os véus<br />
Ir com ela através do horizonte purpúreo<br />
E penetrar nos céus;</p>
<p>Ser palmeira, depois de homem ter sido esta alma<br />
Que vibra em mim, sentir que novamente vibra,<br />
E eu a espalmo a tremer nas folhas, palma a palma,<br />
E a distendo, a subir num caule, fibra a fibra:</p>
<p>E à noite, enquanto o luar sobre os meus leques treme,<br />
E estranho sentimento, ou pena ou mágoa ou dó,<br />
Tudo tem e, na sombra, ora ou soluça ou geme,<br />
E a distendo, a subir num caule, fibra a fibra;</p>
<p>Que bom dizer então bem alto ao firmamento<br />
O que outrora jamais — homem — dizer não pude,<br />
Da menor sensação ao máximo tormento<br />
Quanto passa através minha existência rude!</p>
<p>E, esfolhando-me ao vento, indômita e selvagem,<br />
Quando aos arrancos vem bufando o temporal,<br />
— Poeta — bramir então à noturna bafagem,<br />
Meu canto triunfal!</p>
<p>E isto que aqui digo então dizer: — que te amo,<br />
Mãe natureza! mas de modo tal que o entendas,<br />
Como entendes a voz do pássaro no ramo<br />
E o eco que têm no oceano as borrascas tremendas;</p>
<p>E pedir que, o uno sol, a cuja luz referves,<br />
Ou no verme do chão ou na flor que sorri,<br />
Mais tarde, em qualquer tempo, a minh&#8217;alma conserves,<br />
Para que eternamente eu me lembre de ti.”</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Sobre versificação em língua portuguesa (10)</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 00:02:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Versificação]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos agora abordar os versos hendecassílabos, ou seja, de onze sílabas métricas (contadas em português até a última sílaba tônica de cada linha). Este verso é de origem galego-portuguesa, ou seja, é natural de nossa língua. Tradicionalmente, é acentuado na quinta e décima &#8211; primeira sílabas ou na segunda, quinta, oitava e décima &#8211; primeira. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos agora abordar os versos <strong>hendecassílabos</strong>, ou seja, de onze sílabas métricas (contadas em português até a última sílaba tônica de cada linha). Este verso é de origem galego-portuguesa, ou seja, é natural de nossa língua. Tradicionalmente, é acentuado na quinta e décima &#8211; primeira sílabas ou na segunda, quinta, oitava e décima &#8211; primeira. É claro que ele não pode competir com o decassílabo em termos de popularidade entre poetas e leitores, mas tem seu valor histórico marcado. Vamos observar dois poemas de <strong>Casimiro de Abreu</strong> e <strong>Castro Alves</strong>.</p>
<p><span id="more-544"></span></p>
<p>O primeiro é <strong>Minha Mãe</strong>, de Casimiro de Abreu (1837-1860), citado no <a title="segundo artigo" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-2/" target="_blank">segundo artigo</a> desta série:</p>
<p>”Da pátria formosa distante e saudoso,<br />
Chorando e gemendo meus cantos de dor,<br />
Eu guardo no peito a imagem querida<br />
Do mais verdadeiro, do mais santo amor:<br />
— Minha Mãe! —</p>
<p>Nas horas caladas das noites d’estio<br />
Sentado sozinho co’a face na mão,<br />
Eu choro e soluço por quem me chamava<br />
— “Oh filho querido do meu coração!” —<br />
— Minha Mãe! —</p>
<p>No berço, pendente dos ramos floridos<br />
Em que eu pequenino feliz dormitava:<br />
Quem é que esse berço com todo o cuidado<br />
Cantando cantigas alegre embalava?<br />
— Minha Mãe! —</p>
<p>De noite, alta noite, quando eu já dormia<br />
Sonhando esses sonhos dos anjos dos céus,<br />
Quem é que meus lábios dormentes roçava,<br />
Qual anjo da guarda, qual sopro de Deus?<br />
— Minha Mãe! —</p>
<p>Feliz o bom filho que pode contente<br />
Na casa paterna de noite e de dia<br />
Sentir as carícias do anjo de amores,<br />
Da estrela brilhante que a vida nos guia!<br />
— Uma Mãe! —</p>
<p>Por isso eu agora na terra do exílio,<br />
Sentado sozinho co’a face na mão,<br />
Suspiro e soluço por quem me chamava:<br />
— “Oh filho querido do meu coração!” —<br />
— Minha Mãe! —“</p>
<p>***<br />
De Castro Alves (1847-1871), grande poeta do romantismo brasileiro, conhecido como o “Poeta dos Escravos”, por sua defesa dos negros em obras como <em>Os Escravos</em> (publicada em 1883) e <em>Navio Negreiro</em> (1869), trazemos <strong>Crepúsculo Sertanejo</strong>:</p>
<p>“A tarde morria! Nas águas barrentas<br />
As sombras das margens deitavam-se longas;<br />
Na esguia atalaia das árvores secas<br />
Ouvia-se um triste chorar de arapongas.</p>
<p>A tarde morria! Dos ramos, das lascas,<br />
Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos,<br />
As trevas rasteiras com o ventre por terra<br />
Saíam, quais negros, cruéis leopardos.</p>
<p>A tarde morria! Mas funda nas águas<br />
Lavava-se a galha do escuro ingazeiro…<br />
Ao fresco arrepio dos ventos cortantes<br />
Em músico estalo rangia o coqueiro.</p>
<p>Sussurro profundo! Marulho gigante!<br />
Talvez um — silêncio!… Talvez uma — orquestra…<br />
Da folha, do cálix, das asas, do inseto…<br />
Do átomo — à estrela… do verme — à<br />
[floresta!…</p>
<p>As garças metiam o bico vermelho<br />
Por baixo das asas, — da brisa ao açoite —;<br />
E a terra na vaga de azul do infinito<br />
Cobria a cabeça co’as penas da noite!</p>
<p>Somente por vezes, dos jungles das bordas<br />
Dos golfos enormes, daquela paragem,<br />
Erguia a cabeça surpreso, inquieto,<br />
Coberto de limos — um touro selvagem.</p>
<p>Então as marrecas, em torno boiando,<br />
O vôo encurvavam medrosas, à toa…<br />
E o tímido bando pedindo outras praias<br />
Passava gritando por sobre a canoa!…”</p>
<p>Do livro: <em>A Cachoeira de Paulo Afonso </em>(1876)</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Gonçalo Salgueiro canta Alma Minha Gentil Que Te Partiste, de Camões</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/goncalo-salgueiro-canta-alma-minha-gentil-que-te-partiste-de-camoes/</link>
		<comments>http://cursodeportugues.blogarium.net/goncalo-salgueiro-canta-alma-minha-gentil-que-te-partiste-de-camoes/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 02:17:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Descobri no Youtube esta bela interpretação do soneto de Camões, Alma Minha Gentil, Que Te Partiste, feita por Gonçalo Salgueiro. Não há neste mundo um povo que saiba expressar a melancolia feito nossos patrícios da Terrinha, a exemplo do fado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Descobri no Youtube esta bela interpretação do soneto de <strong>Camões</strong>, <a title="versificação" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-9/" target="_blank"><strong>Alma Minha Gentil, Que Te Partiste</strong></a>, feita por <strong>Gonçalo Salgueiro</strong>. Não há neste mundo um povo que saiba expressar a melancolia feito nossos patrícios da Terrinha, a exemplo do fado.</p>
<p><span id="more-540"></span></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="256" height="260" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Jv2Je-8vY48&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="256" height="260" src="http://www.youtube.com/v/Jv2Je-8vY48&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Língua, com Caetano Veloso e Elza Soares</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 00:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros leitores, não basta saber a língua. É preciso conhecer a cultura produzida nessa língua. Por isso incluí a série de artigos sobre versificação, que traz a produção de nossos artistas, poetas, escritores, letristas. Neste caso, trago a música Língua, de Caetano Veloso, numa interpretação ao lado de Elza Soares. *** *** Gosto de sentir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros leitores,</p>
<p>não basta saber a língua. É preciso conhecer a cultura produzida nessa língua. Por isso incluí a série de artigos sobre <a title="versificação" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-portuguesa-brasileira/" target="_blank">versificação</a>, que traz a produção de nossos artistas, poetas, escritores, letristas.</p>
<p><span id="more-537"></span></p>
<p>Neste caso, trago a música <strong>Língua</strong>, de <a title="Caetano Veloso" href="http://www.caetanoveloso.com.br/" target="_blank">Caetano Veloso</a>, numa interpretação ao lado de <strong>Elza Soares</strong>.<br />
***<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="255" height="266" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/n2KttEYpURI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="255" height="266" src="http://www.youtube.com/v/n2KttEYpURI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
***<br />
<span>Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões<br />
Gosto de ser e de estar<br />
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia<br />
E uma profusão de paródias<br />
Que encurtem dores<br />
E furtem cores como camaleões<br />
Gosto do Pessoa na pessoa<br />
Da rosa no Rosa<br />
E sei que a <a href="http://poesia.mrkind.pro.br/" target='_blank'>poesia</a> está para a prosa<br />
Assim como o amor está para a amizade<br />
E quem há de negar que esta lhe é superior?<br />
E deixe os Portugais morrerem à míngua<br />
&#8220;Minha pátria é minha língua&#8221;<br />
Fala Mangueira! Fala!</span></p>
<p>Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó<br />
O que quer<br />
O que pode esta língua?</p>
<p>Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas<br />
E o falso <a href="http://mrkind.pro.br/blog/gebli-curso-de-ingles-gratis/" target='_blank'>inglês</a> relax dos surfistas<br />
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!<br />
Vamos na velô da dicção <em>choo-choo</em> de Carmem Miranda<br />
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate<br />
E – xeque-mate – explique-nos Luanda<br />
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo<br />
Sejamos o lobo do lobo do homem<br />
Lobo do lobo do lobo do homem<br />
Adoro nomes<br />
Nomes em ã<br />
De coisas como rã e ímã<br />
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã<br />
Nomes de nomes<br />
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé<br />
e Maria da Fé</p>
<p>Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó<br />
O que quer<br />
O que pode esta língua?</p>
<p>Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção<br />
Está provado que só é possível filosofar em alemão<br />
<em>Blitz</em> quer dizer corisco<br />
Hollywood quer dizer Azevedo<br />
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo<br />
A língua é minha pátria<br />
E eu não tenho pátria, tenho mátria<br />
E quero frátria<br />
<a href="http://poesia.mrkind.pro.br/" target='_blank'>Poesia</a> concreta, prosa caótica<br />
Ótica futura<br />
Samba-rap, chic-left com banana<br />
<em>(– Será que ele está no Pão de Açúcar?<br />
– Tá craude brô<br />
– Você e tu<br />
– Lhe amo<br />
– Qué queu te faço, nego?<br />
– Bote ligeiro!<br />
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!<br />
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!<br />
– I like to spend some time in Mozambique<br />
– Arigatô, arigatô!) </em><br />
Nós canto-falamos como quem inveja negros<br />
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem<br />
Livros, discos, vídeos à mancheia<br />
E deixa que digam, que pensem, que falem</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Rosa de Hiroshima, por Ney Matogrosso</title>
		<link>http://cursodeportugues.blogarium.net/rosa-de-hiroshima-por-ney-matogrosso/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 00:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Como incluímos o poema Rosa de Hiroshima, de Vinícius de Moraes, em nosso curso sobre versificação, nada melhor do que apreciar agora este mesmo poema cantado por Ney Matogrosso, numa homenagem a esses artistas:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como incluímos o poema<strong> <a title="Rosa de Hiroshima" href="http://cursodeportugues.blogarium.net/sobre-versificacao-em-lingua-portuguesa-5/" target="_blank">Rosa de Hiroshima</a></strong>, de <strong>Vinícius de Moraes</strong>, em nosso curso sobre versificação, nada melhor do que apreciar agora este mesmo poema cantado por <strong>Ney Matogrosso</strong>, numa homenagem a esses artistas:</p>
<p><span id="more-535"></span></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="257" height="267" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/9YJaaVAQ5lE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="257" height="267" src="http://www.youtube.com/v/9YJaaVAQ5lE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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