Ninguém é inferior por ser analfabeto
Volto ao tema, meus caros.
Não tive como me esquivar à questão.
Pelo simples fato de que minha Mãe,
Dona Sebastiana Cangussú Saraiva,
que Deus a tenha,
era analfabeta.
E aqui que entra o paradoxo:
eu só me tornei professor por causa dos ensinamentos
de minha Mãe, além do incentivo que ela me deu nessa direção.
Ela, ao me pedir que escrevesse o que ditava,
ou ao me pedir que lesse pra ela,
de maneira alta e clara,
e explicasse as coisas,
me ensinou como aprender e ensinar a alguém
a própria língua.
Confesso a vocês: todos os métodos didáticos e pedagógicos
que aprendi na faculdade eu tive que abandonar.
Não porque fossem inúteis, mas porque eu já tinha
um método melhor, que me foi ensinado por uma pessoa
analfabeta, e que só ela poderia me ensinar a ensinar
de maneira clara e simples para pessoas que tem dificuldade
em aprender.
Nos mais de dez anos que ensinei inglês, sempre fui
o melhor professor tanto dos níveis básicos quanto dos
avançados.
Mas principalmente dos básicos.
E todos os alunos reconheciam esta minha capacidade
de facilitar a aprendizagem, fossem eles executivos
de empresas multi-nacionais ou simples participantes
dos programas sociais das empresas, ou mesmo
faxineiros.
Em resumo, sempre lecionei da mesma maneira,
fosse o aluno o faxineiro ou o diretor da empresa.
E isso tudo me foi ensinado por uma pessoa analfabeta.
E agora, quem pode dizer que um analfabeto é uma pessoa
inferior, como se diz nos programas de alfabetização
que não conseguem resolver o problema.
O que será que está faltando mesmo?
Será que a questão é tão complexa assim?
Ou falta apenas o básico: BOA VONTADE?
Eu só sei uma coisa: cada um pode fazer algo
pelos compatriotas, da maneira e pelos meios que puder.
Aqui faço a minha parte, com homenagem hoje à Minha Mãe,
uma Analfabeta que foi minha MESTRA!
Dou um conselho, na verdade um ensinamento que recebi
de minha Mãe,
a quem precisa aprender
e ainda espera por algo do governo ou das “autoridades”:
você morre doido esperando vontade de quem não quer!
Ou use um velho ditado: faça do limão uma limonada!
Eu sempre estudei em escolas públicas,
do jardim de infância ao doutorado.
Podem não ser a melhor escola, mas com certeza
O ALUNO também pode fazer a diferença na escola!
Não precisamos esperar que somente os professores
façam essa diferença!